A ampulheta é uma das formas mais antigas de medir o tempo. Neste blog virei minha ampulheta de cabeça para baixo e a comunicação entre suas âmbulas, por meio da passagem da areia, agora me fazem reviver momentos de um passado não muito longínquo. A transitoriedade expressa neste pequeno instrumento faz de mim, neste momento, memória de mim mesma na árdua tarefa de inventariar lembranças. A minha ampulla (como os romanos a chamavam) me mostra, a cada grão de areia, os últimos quatro anos de minha vida: meus anos neste universo que é a Universidade Federal de Alagoas.

terça-feira, 30 de agosto de 2011

Outros grãos de areia: o vestibular e eu

A minha vida inteira eu achei que sabia o curso que faria na graduação: direito. Minha família toda ratificava essa minha "escolha", assinando em baixo deste curso. Mas, comecemos, então, a observar como as areias da minha ampulheta se comportaram nesta época...



Fiz a inscrição do vestibular, ainda no 3º ano do ensino médio, para direito. Não estava muito confiante, mas as minhas notas eram relativamente altas, e, não sei bem porque, comecei a desanimar no período que antecedeu as provas do vestibular. Fiz a primeira fase da seleção e, passei (lembro como eu ficava nervosa com o fato de uma questão errada anular uma correta)... daí fiquei em casa a estudar para a segunda fase, fiz a prova da segunda fase e então foi só esperar o resultado... Bem, nem preciso dizer o alvoroço da minha família quanto à expectativa. Quando saiu o resultado e eu vi que não tinha sido aprovada fiquei em prantos, era a primeira vez que me sentia impotente daquela forma, mas no dia seguinte fui recebi o resultado positivo da seleção para uma bolsa em uma faculdade privada. Mesmo sendo apaixonada pelo curso de História, decidi cursá-lo nesta Universidade (UNOPAR) para poder amadurecer durante um ano e me preparar melhor para o novo vestibular da UFAL... Neste mesmo período fui chamada para trabalhar com jovens e adultos em um programa do governo (Brasil Alfabetizado) e, foi aí que tudo começou a mudar em minha vida. As formações pedagógicas deste programa eram ministradas por uma pedagoga (que hoje é muito minha amiga, Evarista Costa), e eu me identifiquei MUITO com o seu trabalho. Decidi que no vestibular iria fazer Pedagogia, mas não falei nada para minha mãe, tampouco para o restante da família... eu bem sabia o quanto eles ficariam "decepcionados" com esta troca repentina. Fiz o vestibular novamente, dessa vez para Pedagogia, e só contei a minha mãe no dia que saía o resultado do vestibular, lembro perfeitamente do que eu disse: "Mãe, cuidado para não olhar na lista errada, eu não fiz para Direito, fiz para Pedagogia". Ela ficou uma fera, mal me parabenizou por ter passado no vestibular. Uma semana depois ela foi consultar o site da COPEVE, a fim de ver minhas notas e, então me disse: "Você tirou 715 de média e 18 na redação, você teria passado em Direito". Essa frase resume bem a insatisfação dela com o curso que escolhi.
Bem, enfim, nas próximas postagens vamos ver como foram estes quatro anos de curso aqui na UFAL...

sexta-feira, 19 de agosto de 2011

Primeiros grãos de areia: ainda na escola...

Memória, Salvador Dali
"O tempo histórico encontra, num nível muito sofisticado, o velho tempo da memória, que atravessa a história e a alimenta" (LE GOFF, 1990, p. 9). O tempo e as fontes históricas são colocados, então, em xeque e é a partir da emergência da memória que o próprio "ofício do historiador" (aqui parafraseando Marc Bloch) passa a ser repensado. A memória dos tempos da escola servem, então, neste blog para contextualizar os escritos que virão mais tarde, os quais serão relativos a minha história acadêmica.


Alfabetização Sacramento

Comecei a estudar aos 3 anos no Colégio Santíssimo Sacramento e lá permaneci até a 8ª série (atual 9º ano). Claro que minha família não conseguiria pagar as mensalidades de um colégio como este, mas o fato de meu pai ser professor de física nesta escola garantiu a minha bolsa de estudos, bem como as dos meus 4 irmãos. Todos os anos que passei nesta escola me trazem lembranças maravilhosas: minha professora do maternal, que colocou meu nome em
sua primeira filha em minha homenagem; as feiras de ciências; as tabuadas-relâmpago; as festas na casa da Larissa Guido; os jogos internos (estes eram muito engraçados, uma vez que eu jogava contra as minhas próprias irmãs); as festas de São João; as viagens para os compeonatos do volei; as vezes que fui representante de turma; os artigosque eu e minhas amigas publicávamos no jornalzinho da escola... enfim, foram anos maravilhosos, os quais procuramos registrar na página da nossa turma no facebook (http://www.facebook.com/groups/147507478653670/?ref=ts).


Gincana CEFET-AL, 2006

No fim da 8ª série minha mãe vira para mim e diz: "você vai fazer a prova do CEFET". Eu mal sabia o que isso queria dizer e quando fiquei sabendo que, caso passasse, sairia da escola onde estudava aí, definitivamente, não queria nem pensar nessa prova. Enfim, fiz a prova, fui aprovada e, como a minha mãe queria, fui estudar no Centro Federal de Educação Tecnológica de Alagoas (atual IFAL). Logo na primeira semana de aula já percebi o quanto eu iria crescer neste contexto: as amizades; a diversidade de pessoas, opiniões; o fato de ser uma escola pública (um universo completamente novo para mim). Foram três anos (ensino médio) lindos e que me trazem sempre uma boa nostalgia. O tanto que aprontamos demonstra o quanto nos divertimos ao passo que nos tornávamos mais maduros: as viagens no buzão velho da escola para jogar os campeonatos de volei; o ano de calourice; o fato de jogarmos a coordenadora na piscina no último dia de aula; as noites no posto7; as festas; os concursos de redação da marinha... são muitas lembranças!!!

Claro que tenho MUITO mais lembranças destas duas "fases"... mas, estes apontamentos já servem de norte para as próximas postagens... Termino, então, com a música que me traz as mais doces lembranças desta época:






Referência

LE GOFF, Jacques. História e memória. Tradução de Bernardo Leitão [et al.]. Campinas, SP: Editora da UNICAMP, 1990.

terça-feira, 16 de agosto de 2011

Convite ao blog

Por meio da disciplina Saberes e Metodologias do ensino de História II Gian Carlo propôs ao 8º período de Pedagogia da UFAL um novo desafio: contar a nossa própria história acadêmica. Este blog, então, surgiu na tentativa de cumprir o objetivo deste desafio. Convido, pois, os amigos a adentrarem nesta história, afinal de contas, vocês fazem parte dela tanto quanto eu. Vejamos, a partir de agora, os caminhos e descaminhos desta estrada que foi a Universidade durante estes últimos quatro anos.